Ha duas maneiras de largar algo.
Por compreensao e por desistencia.
Existe um mundo a que eu chamo de "A Grande Ilusao". É nesse mundo que a maioria de nós vagueia numa tentativa de encontrar algo que nos leve um passo a frente, mas essa caminhada nao é simples nem se processa sem que tenhamos que a pagar, nao com dinheiro ou bens materiais, mas com o sacrificio do desapego.
Quantas vezes andamos para a frente ao largar-mos algo que nos era querido e quantas vezes nos envolvemos num nevoeiro que nos cega por nao o fazer? E quantas vezes as duvidas nos invadem por nao saber-mos o que fazer... largar ou nao largar, aguentar ou continuar em frente?
Quando compreendemos as nossas duvidas, mesmo sem conhecer-mos as respostas, tudo se torna mais simples. Nao vale a pena procurar a resposta se nem sequer sabemos de onde os nossos sentimentos e duvidas nasceram e o que os alimenta. Ao tentar-mos 'resolver a vida' numa dessas situaçoes, em que nao conheçemos os Porques, nao estamos a fazer nada mais do que desistir de algo. Larguemos ou nao, estamos a desistir de algo. Ao avançar estamos a desistir do que tinhamos, ao ficar estamos a desistir do que poderiamos ter, e ao mesmo tempo estamos provavelmente a prender algo ou alguem que nos é exterior, mantendo essas outras pessoas num caminho que nao existe. A desistencia é de certo modo egocentrica.
Mas se ao contrario disso, usar-mos a nossa energia para compreender os nossos sentimentos e as nossas acçoes, as nossas certezas e as nossas duvidas (que tanta vez sao as mesmas), atingimos um estado de consciencia sobre nos proprios que nos vai permitir uma decisao muito mais simples. Na verdade a decisao passa a ser natural, n tendo que ser tomada, pois ela simplesmente existe como O Caminho e nao uma probabilidade de caminho. Ai, ao avançar-mos ou ao ficar-mos, nao estamos a desistir de algo, estamos simplesmente a largar, com total compreensao. Esse é o desapego inevitavel da evoluçao, que nao só nos liberta a nos, como tambem irá libertar outros que até entao estavam presos as nossas escolhas inconscientes, tornando esse Largar em algo tanto pessoal como altruista.
E fica aqui mais uma historia zen, mais uma vez em ingles...
Kitano Gempo, abbot of Eihei temple, was ninety-two years old when he passed away in the year 1933. He endeavored his whole life not to be attached to anything. As a wandering mendicant when he was twenty he happened to meet a traveler who smoked tobacco. As they walked together down a mountain road, they stopped under a tree to rest. The traveler offered Kitano a smoke, which he accepted, as he was very hungry at the time.
"How pleasant this smoking is," he commented. The other gave him an extra pipe and tobacco and they parted.
Kitano felt: "Such pleasant things may disturb meditation. Before this goes too far, I will stop now." So he threw the smoking outfit away.
When he was twenty-three years old he studied I-King, the profoundest doctrine of the universe. It was winter at the time and he needed some heavy clothes. He wrote his teacher, who lived a hundred miles away, telling him of his need, and gave the letter to a traveler to deliver. Almost the whole winter passed and neither answer nor clothes arrived. So Kitano resorted to the prescience of I-King, which also teaches the art of divination, to determine whether or not his letter had miscarried. He found that this had been the case. A letter afterwards from his teacher made no mention of clothes.
"If I perform such accurate determinative work with I-King, I may neglect my meditation," felt Kitano. So he gave up this marvelous teaching and never resorted to its powers again.
When he was twenty-eight he studied Chinese calligraphy and poetry. He grew so skillful in these arts that his teacher praised him. Kitano mused: "If I don't stop now, I'll be a poet, not a Zen teacher." So he never wrote another poem.